Silvia Crusco

Poemas e Prosas

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A menina dos sonhos de Natal

Há sete anos, a menina dos sonhos de Natal me pediu para passear para ver a decoração das ruas principais da cidade e foi assim que nos conhecemos. Seus olhos brilhavam a cada cor e a cada luz, talvez brilhassem mais por ter pensado em ter encontrado o maior presente que ela queria: um amor que a abraçasse de verdade, que a pegasse no colo e dividisse uma das mãos e a vida com ela, para que juntas pudessem ter e ser presentes para o resto da vida. Os anos se passaram e a vida mostrou que a realidade é a tesoura que cortava os galhos onde estão pendurados os enfeitinhos da árvore, que nem todo dia é Natal, e que um dia tudo tem que ser desmontado porque o novo ano está por vir. Quanto mais ela queria sentar, ceiar e aguardar a meia noite, para receber seus presentes, quanto mais eu andava sem parar, tomava lanches e cafés ao invés de almoços e jantares e tinha um relógio sem ponteiros onde meio dia era meia noite e meia noite era meio dia. Cada vez mais tudo foi se distanciando entre nós, a menina dos sonhos da mulher multitarefa dona do tempo corrido. Hoje eu deixo um pequeno presente no pé de sua árvore de Natal: a vontade de que cada dia dela seja de festa e que tenha sempre forças para continuar sonhando e peço desculpas porque tenho que ir, pois a vida é curta e tenho que viver realidades.
Silvia Crusco
Enviado por Silvia Crusco em 16/12/2019


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